Fachin tira de Mendonça a relatoria do caso Moraes e abre caminho para assumir inquéritos do Master e do INSS

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, tomou uma decisão decisiva ao retirar do ministro André Mendonça a relatoria do processo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Com a medida, Fachin assumiu diretamente a condução do caso e determinou o envio à Presidência da Corte das investigações paralelas ligadas ao Banco Master e a fraudes no INSS.

Principais pontos da decisão:

 Troca de relatoria: O inquérito decorrente do relatório da Polícia Federal que citava Alexandre de Moraes deixou o gabinete de André Mendonça e passou para a responsabilidade direta de Edson Fachin.

 Centralização dos inquéritos: Fachin também abriu caminho para avocação (chamada para si) dos processos relativos aos desdobramentos das fraudes do Banco Master e do escândalo do INSS, que tramitavam sob a condução de Mendonça.

 Controle da crise interna: A manobra do presidente da Corte busca conter a escalada de tensões e conflitos internos entre os ministros do STF, além de organizar o rito dos julgamentos previstos para o plenário.

 Custódia das provas: Fachin também determinou que a Polícia Federal preste esclarecimentos formais sobre a integridade e a cadeia de custódia das mídias com o conteúdo apreendido do celular de Daniel Vorcaro.

 

 

A retirada do sigilo das investigações do caso Banco Master revelou que aumentou, às vésperas da primeira prisão de Daniel Vorcaro, a frequência das mensagens trocadas entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro foi detido em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai.

O material consta de um pedido de investigação contra Moraes que será analisado pelo plenário do Supremo. Segundo relatório da Polícia Federal, Vorcaro usava a proximidade com o magistrado como um ativo estratégico para tentar obter informações reservadas, inclusive sobre a possibilidade de ser preso.

Em 21 de outubro de 2025, o banqueiro registrou em seu celular os nomes de delegados que haviam participado de uma reunião no Banco Central. Já na manhã de 17 de novembro, véspera da Operação Compliance Zero, ele recebeu mensagens de um advogado e mudou seus planos de viagem, decidindo inicialmente deixar o país em um jatinho pelo Aeroporto de Congonhas.

Mais tarde, Vorcaro seguiu para Guarulhos, onde acabou preso ao tentar embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Uma das mensagens reunidas pela investigação mostra o banqueiro questionando se poderia fugir do Brasil.

O relatório também aborda o contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O acordo previa, entre outros serviços, consultoria estratégica relacionada a inquéritos em tramitação na Polícia Federal, além do pagamento de parcelas mensais e multas em caso de atraso. O escritório informou que não comentará os detalhes do contrato.

Após a divulgação do conteúdo, Alexandre de Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a retirada integral do sigilo dos documentos do caso. O ministro também defendeu que a situação envolvendo seu nome fosse analisada em conjunto com a atuação do relator, André Mendonça, a quem acusou de parcialidade, seletividade e abuso de autoridade.

As investigações ainda mencionam o ministro Dias Toffoli. A PF apontou que ele seria o beneficiário final de um fundo que recebeu aproximadamente R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro. Em nota, Toffoli negou manter relação de amizade ou intimidade com o banqueiro, afirmou não ter movimentado recursos no exterior e declarou que todas as receitas foram informadas ao Fisco. O Supremo já havia entendido que não existiam elementos suficientes para investigá-lo.

A abertura dos autos ocorreu após a Procuradoria-Geral da República solicitar a retirada total do sigilo. Fachin acolheu o pedido e determinou que André Mendonça liberasse integralmente os documentos, medida cumprida na noite de quinta-feira (10).

A divulgação provocou novas manifestações de autoridades, parlamentares e dirigentes do Congresso, além de ampliar a crise interna no Supremo. Nos bastidores, Fachin chegou a ser pressionado a encerrar uma sessão da Corte para que os ministros discutissem, reservadamente, a situação dos magistrados citados no caso Master.

Com crise no STF, Congresso quer votar reforma do Judiciário após a eleição

 

A crise no STF deve abrir caminho para que o Congresso Nacional vote, logo após as eleições, uma minirreforma do Judiciário, com a possibilidade de mudar até mesmo a forma de indicação dos ministros do Supremo.

Nos bastidores, caciques do Centrão e até mesmo membros do Judiciário já admitem que, independentemente de quem for eleito presidente da República, será inevitável votar mudanças para os tribunais superiores ainda em 2026.

A votação funcionaria como uma forma de nivelar os poderes do Judiciário, que aumentaram nos últimos anos em relação ao Legislativo e ao Executivo. Além disso, serviria como uma resposta do Congresso à sociedade.

Sob reserva, ministros de tribunais superiores admitem que, na situação em que se encontra, o Supremo não terá tanta força para resistir à votação de mudanças em suas regras pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Esses magistrados avaliam que a eleição deve impactar na reforma. A leitura é de que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), as mudanças podem ser mais profundas e aprovadas mais rapidamente.

O presidente Lula também tem defendido publicamente uma reforma do Judiciário. A avaliação no Congresso e no STF, contudo, é de que o petista não deve ser tão incisivo quanto Flávio no tema.

PEC prevê mandato para ministros do STF

Nos últimos dias, parlamentares do Centrão já começaram a sugerir propostas. Uma das PEC é de autoria do deputado federal Danilo Forte (PP-CE) e prevê mandato de oito anos para ministros do STF.

Em busca de apoio à proposta, o deputado incluiu na PEC uma rotatividade nas indicações à Corte. A prerrogativa deixaria de ser exclusiva do presidente da República e passaria a ser compartilhada com Legislativo e Judiciário.

“O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Corte Suprema em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do Tribunal ao longo de sucessões presidenciais. A proposta distribui a prerrogativa de indicação entre os três poderes da República”, diz o deputado no texto.

A PEC aproveita a onda negativa do Caso Master e propõe vetar a participação de ministros em eventos patrocinados por empresas com processos pendentes. Também proíbe decisões monocráticas que suspendam a eficácia de leis.

A proposta de Forte já é defendida nos bastidores por algumas frentes parlamentares. Na segunda-feira (14/9), a Frente Parlamentar do Empreendedorismo deve anunciar apoio à PEC apresentada pelo deputado.

Metrópoles

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, indeferiu o pedido do ministro Alexandre de Moraes para a realização de um julgamento conjunto dos casos envolvendo Moraes e Mendonça.

A decisão consta em despacho deste sábado (12).

Com o indeferimento, Fachin manteve para 15 de setembro a realização da Sessão Plenária Extraordinária destinada exclusivamente o caso envolvendo Moraes, sob relatoria do ministro André Mendonça.

A análise do caso que cita Mendonça foi agendada para a sessão do dia 23 de setembro de 2026, após a conclusão da fase de instrução.

Quebra de sigilo do Master vem antes de sessão extraordinária do STF

Moraes havia apresentado o requerimento à Presidência alegando o “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual” caso os processos fossem apreciados separadamente.

Em meio a uma crise sem precedentes, o Supremo Tribunal Federal (STF) viveu nesta sexta-feira (11) uma batalha de ofícios entre ministros.

Um ofício é um documento formal usado por ministros, gabinetes ou pela presidência da Corte para solicitar ou comunicar providências — ou para responder a pedidos.

  1. Perto do meio-dia, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, no qual cita uma “escolha seletiva” na retirada do sigilo, por André Mendonça, dos inquéritos e procedimentos ligados ao Banco Master.
  2. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao presidente do STF a retirada de sigilo de todos os documentos. A PGR argumentou que liberar apenas parte da documentação poderia “induzir à ideia equivocada de transparência”.
  3. Em dois ofícios, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin solicitaram ao presidente do STF acesso a uma mídia específica relacionada ao caso Master. Segundo os ministros, o material seria fundamental para a discussão em plenário marcada para a próxima terça-feira (15).
  4. O presidente do STF decidiu acolher o pedido da PGR para a retirada do sigilo de documentos do caso Master. Fachin deu então 24 horas para que o ministro André Mendonça, relator do caso, liberasse a documentação.
  5. O ministro André Mendonça afirmou que o aparelho celular de Daniel Vorcaro apreendido nas investigações não se encontra em seu gabinete, mas, sim, sob a custódia da Polícia Federal (PF), mantendo em seu poder apenas uma cópia de segurança lacrada e criptografada.
  6. Em outro ofício, Mendonça negou ter feito a retirada seletiva do sigilo do caso Master, preservando investigações em andamento e protegendo dados de investigados.
  7. O ministro Gilmar Mendes pediu que o presidente do STF assumisse a condução do caso sobre o relatório da PF que revelou trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
  8. Em nova manifestação, Zanin voltou a insistir no pedido de acesso integral ao conteúdo do celular apreendido de Vorcaro.
  9. Moraes disse, tambem ofício, que Mendonça direciona a derrubada de sigilos para proteger ‘grupo político’.
  10. Mendonça defendeu sua decisão de afastar preventivamente do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.

No início da noite, Mendonça retirou o sigilo de mais documentos do caso Master. Entre os novos processos com quebra de sigilo estão os que tratam de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda.

Mendonça atendeu ao pedido da PGR e liberou o sigilo de 18 processos envolvendo o caso Master. Além disso, tirou o sigilo de mais 20 processos.

A defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP) tentou quatro vezes transferir do ministro Flávio Dino para o ministro André Mendonça a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

Os advogados alegaram, em um dos pedidos, que Mendonça, que já estava a frente de outras investigações sobre a cinebiografia, também teria que assumir a apuração sobre suposto uso de recursos públicos na obra.

“Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência, a fim de criar uma prevenção artificial e inexistente do Exmo. Min. Flávio Dino para os fatos”, disse a defesa.

As duas primerias foram endereçadas ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e as outras foram destinadas ao ministro Flávio Dino.

As investigações sobre “Dark Horse” apuram:

  • os repasses de R$ 62,8 milhões feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
  • a eventual destinação de parte desse recurso para bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos;
  • e a indicação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme.

Operação PF

Na quinta-feira (10), a Polícia Federal (PF) cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em operação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”.

Mario Frias e Karina Gama, dona Go Up, produtora da cinebiografia, foram alvos da ação. A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, apurou informações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, informou a PF.

A PF disse ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema.

Em investigação, os crimes de peculato (desvio, por parte de um funcionário público, de bens e valores que ele tem acesso por conta do cargo que ocupa), falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

G1