Flávio Dino nega pedido de Édson Araújo para adiar depoimento na CPMI do INSS

O deputado estadual maranhense Édson Araújo (sem partido) alegou problemas de saúde e pediu o adiamento do depoimento à CPMI do INSS, marcado para segunda-feira (9). O pedido foi feito por meio de habeas corpus, mas negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.

Na decisão, Dino não autorizou a ausência do parlamentar na oitiva, mas garantiu o direito constitucional ao silêncio, permitindo que Édson Araújo não responda a perguntas que possam incriminá-lo e não assuma compromisso de dizer a verdade durante o depoimento.

O deputado deverá explicar a movimentação de mais de R$ 73 milhões em cerca de um ano. Após a quebra de sigilo bancário determinada pela CPMI, foi identificado que ele recebeu R$ 54,9 milhões em junho de 2024 e R$ 18,5 milhões entre janeiro e junho de 2025.

Édson Araújo é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em benefícios do INSS.

 

Em vídeo divulgado neste sábado, após a retomada integral da circulação de ônibus na Grande Ilha, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), destacou o fim da greve dos rodoviários sem aumento no valor da passagem nem do subsídio repassado pelo poder público municipal.

Braide voltou a criticar a atuação dos empresários do transporte coletivo da capital. Segundo o prefeito, haveria atrasos ou negativa deliberada no pagamento de benefícios aos rodoviários, estratégia que, de acordo com ele, teria como objetivo provocar paralisações e pressionar a Prefeitura.

O prefeito afirmou ainda que, durante sua gestão, ocorreram apenas dois reajustes tarifários, que somam R$ 0,50 ao longo de seis anos. Braide também questionou o destino dos recursos antes utilizados para o pagamento de cobradores, que foram posteriormente demitidos.

Por fim, o chefe do Executivo municipal destacou o que classificou como desrespeito dos empresários aos usuários do transporte público, citando o desligamento de aparelhos de ar-condicionado e a não circulação da frota em sua totalidade.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de São Luís (SET) se posicionou sobre as declarações do prefeito.

A crise no transporte público da capital maranhense, ao que tudo indica, ainda deve ter novos desdobramentos.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, descartou o apoio do partido ao sobrinho do governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), na disputa pelo governo do estado. A informação foi divulgada pela coluna de Igor Gadelha, do jornal Metrópoles.

Impedido de disputar a reeleição em 2026, Carlos Brandão articula a candidatura do sobrinho, Orleans Brandão, como seu sucessor no Palácio dos Leões e tenta viabilizar o apoio do PT ao projeto.

Segundo relatos de petistas ouvidos pela coluna, Edinho Silva afirmou, em conversas durante as comemorações do aniversário do PT em Salvador, nos últimos dias, que o partido não tem condições de apoiar a candidatura do sobrinho do governador.

De acordo com esses interlocutores, a decisão é baseada em pesquisas qualitativas sobre o cenário eleitoral no Maranhão.

Ainda conforme os relatos, Edinho disse que pretende abrir uma nova rodada de diálogo com partidos de centro-esquerda no estado, com o objetivo de buscar unidade política para a disputa ao governo maranhense.

Decisão judicial da Vara de Interesses Difusos e Coletivos desta sexta-feira (6) autorizou o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), a colocar em prática a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, mesmo sem a aprovação da peça pelos vereadores da capital.

O juiz Douglas Martins atendeu a pedido da Prefeitura de São Luís, que alegou risco de atraso no pagamento da folha de pessoal, paralisação de obras financiadas com recursos do Novo PAC e dificuldades para implementar o reajuste dos professores da rede municipal.

Além de autorizar a execução do orçamento sem a aprovação da Câmara Municipal, o magistrado determinou que os vereadores votem a proposta da LOA na primeira sessão ordinária da Casa ou convoquem uma sessão extraordinária após a notificação da decisão.

Douglas Martins, no entanto, negou pedido do Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) para obrigar a Prefeitura de São Luís a pagar o reajuste do subsídio no Sistema de Transporte Público da capital.

Conforme determinado pelo juiz, a notificação ao presidente da Câmara Municipal, Paulo Victor (PSB), foi realizada no fim da tarde desta sexta-feira (6). Com isso, em tese, os vereadores terão de apreciar a proposta orçamentária na próxima segunda-feira (9), data em que também está prevista a eleição para o cargo de terceiro secretário da Mesa Diretora da Casa.

Caso a proposta orçamentária não seja votada, o presidente da Câmara poderá ser multado em R$ 10 mil por dia, por descumprimento da decisão judicial.


Após uma reunião realizada na tarde desta sexta-feira (6), os ônibus do transporte público de São Luís voltam a circular a partir deste sábado (7). O encontro ocorreu na Promotoria do Consumidor e reuniu representantes do Sindicato dos Rodoviários, do Sindicato das Empresas de Transporte, da Prefeitura de São Luís e do Ministério Público.

A reunião foi acompanhada pela repórter da TV Difusora, Luísa Rabelo, que entrevistou a promotora do consumidor Lítia Cavalcanti. A promotora explicou que o acordo foi construído como uma medida emergencial para reduzir os prejuízos à população e aos trabalhadores.

Segundo a promotora, o Ministério Público propôs o aumento temporário do subsídio do sistema urbano para 80 centavos por passageiro, tomando como referência o valor repassado pelo Governo do Estado ao sistema semiurbano, que é de 40 centavos. A medida valerá até a realização de uma perícia técnica contábil.

Além do subsídio, foi solicitado que as empresas do sistema urbano coloquem 100 novos ônibus em circulação. Desses veículos, 35% devem ter ar-condicionado. Também foi definida a retirada de todos os ônibus com mais de 10 anos de uso.

De acordo com Lítia Cavalcanti, o subsídio é necessário para manter a tarifa sem aumento para o usuário. Ela explicou que, em todo o Brasil, esse modelo é adotado para garantir a modicidade da passagem, conforme decisões do Supremo Tribunal Federal.

A promotora destacou ainda que existe uma cláusula contratual que prevê a atualização anual do subsídio, já que há aumento constante nos custos do sistema, como combustíveis, manutenção e salários dos trabalhadores.

Durante a reunião, o Ministério Público informou que o subsídio repassado pela Prefeitura teria sofrido uma glosa de cerca de R$ 1,5 milhão. Segundo a promotora, com esse desconto não há condições de pagar integralmente os salários dos rodoviários.

Diante disso, o Ministério Público vai ingressar na Justiça para garantir o pagamento integral aos trabalhadores. O retorno dos ônibus foi condicionado ao compromisso de que os salários sejam pagos até a próxima terça-feira.

A promotora ressaltou que o Ministério Público segue aberto ao diálogo, mas, neste momento, atua de forma mais firme na esfera judicial para evitar novos prejuízos à população.

O acordo firmado prevê que o transporte urbano e o semiurbano circulem normalmente a partir deste sábado. No entanto, caso os salários não sejam pagos até terça-feira (10), os rodoviários poderão paralisar novamente as atividades a partir de quarta-feira (11).

O Ministério Público informou que seguirá acompanhando o cumprimento do acordo e a fiscalização das medidas definidas para garantir a continuidade do serviço e melhorias no transporte público da capital maranhense.

Com informações da Difusora News

Ex-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na antevéspera do Natal. O encontro ocorreu na Granja do Torto, no dia 23 de dezembro, a pedido de Nogueira, e contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Descrita como cordial pelos participantes, a conversa não foi registrada na agenda oficial de Lula e teve como objetivo reaproximar o senador do presidente, sob a articulação de Motta. Segundo relatos, Ciro Nogueira buscou abrir caminho para um acordo que viabilize sua reeleição ao Senado pelo Piauí, estado governado pelo PT.

De acordo com políticos envolvidos nas tratativas, o senador articula um pacto no qual Lula apoiaria de forma enfática apenas um candidato ao Senado em 2026: o emedebista Marcelo Castro. Como há duas vagas em disputa, a estratégia facilitaria a reeleição de Nogueira.

Ao confirmar o encontro, um aliado do presidente do PP afirmou que o objetivo é garantir que o governo federal e o PT não atuem contra sua candidatura. Em troca, o partido acenaria com neutralidade na disputa presidencial, deixando de apoiar formalmente o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula.

O contexto da negociação envolve a criação da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Caso seja reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação terá a maior bancada da Câmara dos Deputados e será obrigada a atuar de forma conjunta na eleição nacional. Ciro Nogueira é um dos principais líderes da aliança.

Confirmada por cinco pessoas, a reunião também serviu para reduzir tensões entre Lula e o senador, que trocaram gestos de cordialidade ao final do encontro. Um aliado do presidente, simpático à articulação, afirmou que Lula “gosta de Nogueira”.

Durante a conversa, o senador destacou a relação próxima com Hugo Motta, a quem se referiu como um “filho político”. Também ressaltou que, embora tenha mantido lealdade a Bolsonaro até o fim do governo, foi um dos primeiros aliados a reconhecer publicamente a vitória de Lula em 2022 — sinal interpretado como indicativo de possível alinhamento futuro.

Apesar disso, Nogueira demonstrou preocupação com o vazamento do encontro e, procurado pela Folha, negou ter se reunido com Lula. Mesmo assim, aliados confirmam que ele tem intensificado articulações com foco na campanha eleitoral.

A reaproximação pode gerar desgaste junto ao eleitorado bolsonarista e à direita, já que o senador se identificou fortemente com o bolsonarismo nos últimos anos. Além disso, a iniciativa enfrenta resistência no PT do Piauí. O governador Rafael Fonteles (PT), que disputará a reeleição, e o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) não teriam sido informados da conversa.

O presidente estadual do PT, Fábio Novo, afirmou desconhecer o encontro e lembrou que Nogueira foi eleito senador duas vezes com apoio de Lula, mas rompeu posteriormente. “Não temos o direito de errar uma terceira vez”, disse. Lideranças nacionais do partido também resistem à ideia de apoiar o senador.

Outro entrave é a composição da chapa petista no estado, que tem o deputado Júlio César (PSD) como pré-candidato ao Senado. Um eventual acordo com Nogueira poderia desagradar o presidente do PSD, Gilberto Kassab, aliado estratégico de Lula.

O Piauí é considerado um reduto lulista. Em 2022, Lula obteve 76,8% dos votos válidos no segundo turno contra Bolsonaro. Por isso, lideranças locais avaliam que candidatos com apoio oficial do Planalto têm ampla vantagem eleitoral.

Ainda assim, aliados do presidente reconhecem que Nogueira mantém forte apoio entre prefeitos piauienses, inclusive de partidos da base governista. O prefeito de Cajueiro da Praia (PI), Felipe Ribeiro (PT), por exemplo, já declarou apoio ao senador.

Ciro Nogueira está em seu segundo mandato no Senado. Em 2018, foi eleito com apoio do PT e de Lula, fazendo campanha ao lado de Fernando Haddad, que venceu Bolsonaro no estado. Nogueira foi o mais votado, com 29,8% dos votos, seguido por Marcelo Castro, com 27,1%.

Após a derrota do PT em nível nacional, o senador se aproximou de Bolsonaro, assumiu a Casa Civil em 2021 e conduziu o PP ao alinhamento com o bolsonarismo, rompendo com a tradição do centrão de apoio ao governo de plantão.

Sem Bolsonaro no Planalto, Nogueira passou a defender a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) à Presidência. Com a decisão de Tarcísio de permanecer em São Paulo, o senador agora avalia sua posição em relação a Flávio Bolsonaro. Embora tenha sido cogitado como vice, aliados indicam que a hipótese perdeu força.