PL reconhece vitória de Lula no 2º turno e descarta anulação do pleito

O Partido Liberal (PL) reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais em nota oficial assinada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, nesta segunda-feira (26).

O comunicado aceita o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas pontua a necessidade de esclarecimentos sobre episódios e medidas adotadas ao longo do período eleitoral.

Na nota, a legenda afirma reconhecer o resultado formalizado pela Justiça Eleitoral, mas ressalta que os questionamentos levantados durante a campanha precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político democrático.

O documento critica o uso de medidas com forte apelo eleitoral e a ampliação de gastos públicos no período que antecedeu a votação, sustentando que tais ações devem ser analisadas quanto aos seus impactos econômicos e institucionais.

No mesmo movimento de pacificação partidária, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuou e sinalizou a aliados que não dará prosseguimento aos pedidos de anulação do pleito, alinhando-se à postura da direção do partido para focar na atuação de oposição ao governo atual.

O partido também enfatizou a relevância de sua bancada no Congresso e no comando de estados para o próximo mandato, destacando contar com 121 deputados federais, 29 senadores e seis governadores eleitos. A direção da sigla declarou que atuará de forma independente na oposição e continuará acompanhando os desdobramentos políticos do pleito.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) para entregar seus passaportes e está proibido de deixar o Brasil. A medida cautelar foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia seguinte à confirmação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar afirmou que foi abordado por agentes da PF em Brasília ao deixar o condomínio onde reside no Lago Sul. Flávio declarou que a decisão se baseou em uma entrevista de seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, concedida na semana passada nos Estados Unidos, na qual defendeu que o senador deixasse o país caso fosse derrotado nas urnas. O candidato do PL negou ter intenção de sair do Brasil e classificou a medida como uma tentativa de intimidação política.

Flávio Bolsonaro é investigado no STF em inquéritos que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro com empresas de apostas e o financiamento de uma produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a impossibilidade constitucional de uma nova candidatura em 2030, aliados do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), passaram a defender publicamente que ele renuncie ao cargo na Corte para retornar à política partidária. A informação foi divulgada pelo jornalista Igor Gadelha, da coluna do Metrópoles.

A avaliação do grupo político de Dino é que o magistrado reúne condições para despontar como o principal sucessor de Lula no campo da esquerda nas próximas eleições presidenciais. Aliados sustentam que o Partido dos Trabalhadores não conta atualmente com quadros de projeção similar e lembram que o ex-governador do Maranhão já realizou movimento semelhante ao deixar a magistratura federal em 2006 para iniciar carreira política.

A eventual indicação de Dino, contudo, deve enfrentar resistência em alas do PT que defendem nomes próprios da legenda para a disputa de 2030. Entre os quadros citados por lideranças petistas para a sucessão presidential estão o senador Camilo Santana (PT-CE) e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI).

Um levantamento realizado com base nos arquivos de registros das urnas eletrônicas apontou que 34.319 votos foram computados entre 17h e 19h no segundo turno da eleição presidencial realizada neste domingo (25).

A quantidade equivale a aproximadamente 129 vezes menos do que a vantagem final obtida pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de 4,43 milhões de votos.

A prorrogação do horário de funcionamento em seções eleitorais abertas foi determinada por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos de ambas as campanhas devido a relatos de congestionamentos e problemas no transporte de eleitores. Do total de votos registrados na extensão de horário, 32.337 ocorreram na primeira hora extra e 1.982 na segunda hora. Os estados de São Paulo (8.855), Bahia (4.188) e Rio de Janeiro (4.146) concentraram metade dos registros do período.

Os dados técnicos armazenados pelas urnas mostram apenas os horários das confirmações de voto, sem identificar a escolha dos eleitores ou diferenciar quem já estava na fila antes das 17h. 

São Paulo (SP), 25/10/2026 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa após vitória nas eleições 2026, no hotel Intercontinental. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

 

No primeiro discurso após a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mudará o jeito de governar o Brasil.

Com 100% das urnas apuradas, Lula registrou mais de 64,2 milhões de votos, o que corresponde a 51,79% dos votos válidos. 

Ele prometeu investimentos em economia digital, em educação, na preservação do meio ambiente, na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS) e cobrou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.

“Essa eleição me ensinou muitas lições. Quero dizer que vamos mudar o jeito de governar este país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. Quero dizer que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, declarou o presidente em São Paulo.

Logo após agradecer ao deputado André Janones (Rede-MG) pelo trabalho de articulação nas redes sociais no segundo turno das eleições, Lula disse que passará a se comunicar mais diretamente com o povo.

“Daqui para a frente, vou conversar com o povo brasileiro muitas vezes por dia direto. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Vou dizer o que penso, o que faço”, acrescentou Lula.

Datacenters

O presidente reeleito disse que pretende tornar a economia digital um dos eixos do novo governo. Prometeu aproveitar o potencial de energia renovável para atrair datacenters (centro de dados) para o Brasil. Também prometeu a criação de uma inteligência artificial brasileira.

“Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável para trazer os datacenters necessários para acumular dados no Brasil. E essa gente vai ter que deixar uma parte dos datacenters para as informações brasileiras”, declarou.

Educação e IA

Em seu quarto mandato, Lula prometeu investir em educação, com a universalização da escola integral até o ensino médio. O presidente reeleito prometeu reforçar o programa Pé-de-Meia para o ensino médio e expandir o programa para os universitários.

Lula prometeu reforçar o ensino de ciências exatas para que o Brasil conquiste a soberania na inteligência artificial.

“Queremos ensinar mais matemática, mais engenharia porque não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa e americana. Quero criar uma [inteligência artificial] brasileira”, declarou.

Big techs

O presidente reeleito também disse que, após as interferências das grandes empresas de tecnologia nas eleições brasileiras, trabalhará pela regulamentação das big techs.

“Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, declarou.

“Não podemos ter empresas monstruosas e grandes ganhando bilhões, não pagando nenhum imposto neste país, tentando direcionar o resultado eleitoral deste país”, acrescentou.

Saúde

Em relação à saúde, Lula disse que uma das principais motivações na campanha foi evitar a privatização do SUS. O presidente reeleito prometeu investir na modernização do sistema, com melhoria no tratamento do câncer nos hospitais públicos.

“Vamos continuar fazendo a revolução do SUS. Estou convencido que o Brasil será o país com o maior percentual de tratamento de câncer do mundo”, afirmou.

Lula destacou os investimentos na construção do hospital inteligente em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), financiado pelo Banco do Brics, e prometeu a criação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) inteligentes.

“Vamos ter 15 UTIs inteligentes neste país para não permitir que as pessoas não morram por falta de tratamento por tempo”, destacou.

Segurança

Sem citar a votação da PEC da Segurança Pública, em tramitação no Senado, Lula defendeu a federalização do tema. Segundo ele, muitos dos problemas atuais decorrem do fato de que a Constituição de 1988 transferiu toda a responsabilidade sobre a segurança para os estados.

“Agora está provado que os estados não dão conta. Vamos entrar para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade e a paz [de] que eles precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”, concluiu Lula.

Agência Brasil

Lorenzo Pazolini (Republicanos), prefeito reeleito de Vitória. Foto: Tati Beling/Ales© Tati Beling/Ales

Com 97,34% das urnas apuradas, o candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi eleito para governar o estado do Espírito Santo.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Pazolini recebeu, até o momento, 1.116.303 dos votos válidos, o que equivale a 52,01%. Ele disputou o segundo turno com Ricardo Ferraço (MDB), que obteve 1.030.156 votos (47,99%).

Lorenzo Pazolini foi prefeito de Vitória por dois mandatos. Em 2026, deixou o comando municipal para disputar o governo do Espírito Santo.

Natural da capital capixaba, tem 44 anos, já foi deputado estadual e é delegado de polícia.