Dino condena “cultura do bezerro de ouro” no Judiciário

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino subiu o tom em defesa da ética institucional durante aula magna realizada nesta segunda-feira, na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ). Em um discurso marcado por referências morais e técnicas, o magistrado criticou o que descreveu como uma busca pelo “enriquecimento a qualquer custo” dentro do sistema de Justiça brasileiro.

​Utilizando a figura bíblica do “bezerro de ouro”, Dino traçou um paralelo entre a idolatria material e a conduta de magistrados e advogados que, segundo ele, têm priorizado a obsessão pelo dinheiro em detrimento da função social e institucional de seus cargos.

​Para o ministro, essa lógica mercantilista não apenas corrói a imagem do Judiciário, mas empurra profissionais para além da fronteira ética, podendo resultar em crimes graves.

“Essa lógica pode levar magistrados e advogados a ultrapassarem limites éticos e até se envolverem em práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro”, alertou.

​A fala ocorre em um momento de alta sensibilidade, em meio à repercussão de investigações ligadas ao Banco Master, que levantam debates sobre a porosidade entre agentes públicos e interesses privados. Embora Dino não tenha citado nomes, ministros ou processos específicos, o cenário de pressão sobre as cortes superiores serviu como pano de fundo inevitável para a interpretação de suas declarações.

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