
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega à reta final do mandato em São Paulo com um quadro fiscal bem diferente daquele encontrado no início da gestão. Segundo a Folha de S.Paulo, o estado passou de um cenário de superávit para sucessivos resultados negativos nas contas públicas ao longo dos últimos quatro anos, configurando o pior desempenho orçamentário em mais de três décadas.
De acordo com dados do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária) divulgados em março de 2026, o governo arrecadou R$ 372,8 bilhões e gastou R$ 385 bilhões em 2025, resultando em déficit de R$ 12,2 bilhões — a segunda vez que o estado fica no vermelho desde que Tarcísio assumiu o Palácio dos Bandeirantes, sendo que no primeiro ano o rombo havia sido de R$ 1,6 bilhão. Levantamento com base nos mesmos dados mostra ainda que o governo Tarcísio registrou déficit nominal em 2023 e 2025, enquanto em 2024 o resultado ficou equilibrado graças aos recursos obtidos com a venda da Sabesp.
Outro indicador que chamou atenção dos analistas foi a redução expressiva do caixa livre do governo — recursos do Tesouro sem destinação obrigatória, que funcionam como um colchão financeiro para o estado. Segundo o mesmo levantamento do Sigeo, esse montante passou de R$ 52,9 bilhões em 2022 para R$ 26,7 bilhões no ano passado, uma diminuição de 41,5%, equivalente a R$ 26,2 bilhões. Para 2026, as estimativas oficiais preveem novo déficit, desta vez acima de R$ 9 bilhões, reforçando a trajetória de deterioração observada desde o início da gestão.
Apesar do cenário, a equipe econômica do governo argumenta que o indicador mais adequado para medir a saúde fiscal do estado não seria o resultado nominal, mas sim o resultado primário — metodologia adotada pelo Tesouro Nacional. Segundo dados oficiais do governo paulista, São Paulo registrou superávits primários acima das metas fixadas em lei em todos os anos da gestão: R$ 5,5 bilhões em 2023, R$ 12,9 bilhões em 2024 e R$ 8,5 bilhões em 2025.
Em paralelo à piora dos números orçamentários, o governo tem apostado fortemente na ampliação de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões como estratégia para bancar investimentos em infraestrutura. Segundo balanço divulgado pelo governo em dezembro de 2025, a soma de investimentos privados atraídos pela gestão alcançou R$ 910 bilhões em três anos, divididos entre R$ 540 bilhões em novos empreendimentos empresariais e industriais e R$ 370 bilhões em leilões, concessões e parcerias do Programa PPI-SP. Já em levantamento anterior, de janeiro de 2025, o secretário de Parcerias e Investimentos do estado, Rafael Benini, afirmou que a meta do governo era dobrar a capacidade de investimento em serviços públicos por meio de PPPs e concessões, somando mais de R$ 30 bilhões ao orçamento estadual.
A discrepância entre a narrativa oficial de expansão dos investimentos e a piora dos indicadores fiscais tradicionais deve se tornar tema recorrente no debate político em torno da disputa pelo governo paulista nas eleições de outubro, à medida que adversários buscam usar os números do déficit como munição na campanha.
