
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (25) uma operação no Aeroporto de Fortaleza que resultou na prisão de um auditor-fiscal da Receita Federal e de dois empresários. O grupo é investigado por integrar um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação que movimentou valores milionários ao longo dos últimos anos.
Batizada de Operação Snooker 2, a ação cumpriu três mandados de prisão e quinze de busca e apreensão, além de bloquear bens de luxo pertencentes aos investigados. As diligências aconteceram simultaneamente em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará, e também em Salvador, na Bahia, revelando a extensão territorial do esquema.
De acordo com apurações da Receita Federal, as empresas ligadas ao grupo movimentaram mais de R$ 27 milhões em transações suspeitas. Parte desses recursos teria sido convertida em criptoativos, somando aproximadamente R$ 31,8 milhões em aquisições incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro.
O auditor-fiscal é apontado pelas investigações como o líder da organização criminosa, responsável por receber cerca de R$ 6,8 milhões ao longo do esquema. Ele teria repassado dados sigilosos sobre comércio exterior para beneficiar despachantes aduaneiros e empresas importadoras, driblando os mecanismos de fiscalização da própria Receita Federal.
As investigações revelam que o esquema era estruturado em núcleos distintos: um público, formado pelo agente fiscal; um empresarial, com os importadores beneficiados; um financeiro, encarregado da movimentação dos valores; e um auxiliar, que dava suporte logístico às operações. Entre os casos identificados está a subdeclaração de joias de prata como bijuterias e a subfaturamento de mercadorias por uma dupla de empresários chineses, que teria pago ao menos R$ 2,5 milhões em propina para reduzir tributos.
Com as prisões, o Ministério Público Federal busca interromper a continuidade das fraudes e aprofundar as apurações sobre outros possíveis envolvidos. Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em operações de importação.
