
A um mês do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para o dia 4 de outubro, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) adotam estratégias distintas para a reta final da disputa pelo Palácio do Planalto.
No campo petista, a orientação é transformar a campanha em uma comparação direta entre o atual governo e a gestão de Jair Bolsonaro (PL). O partido pretende explorar temas como segurança pública, emprego, combate à corrupção, saúde e educação, além de apresentar propostas para um eventual novo mandato. Segundo o secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, Lula orientou a equipe a conduzir uma “disputa de alto nível”, com uso de dados para rebater o que for identificado como fake news ou manipulação. A estratégia também prevê comparações entre as trajetórias políticas e as biografias dos dois candidatos — segundo Valadares, “não há assunto que seja tabu” para a campanha petista.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro não deve promover mudanças significativas em relação à estratégia já adotada. Internamente, a avaliação é de que o senador estaria em trajetória de crescimento nas pesquisas, enquanto Lula perderia apoio popular. Os números mais recentes mostram um cenário de aproximação: no Datafolha, Lula tem 38% contra 33% de Flávio no primeiro turno — a menor diferença registrada entre os dois candidatos desde o início da série histórica —, com 46% a 44% em um eventual segundo turno, dentro da margem de empate técnico. Na Quaest, o presidente aparece com 37% ante 29% de Flávio no primeiro turno, e a disputa também fica tecnicamente empatada em um possível segundo turno, com 42% a 41%.
Diante desse cenário, Flávio deve manter o foco nos temas de segurança pública e economia, mas também deve intensificar a exploração da crise em torno do ministro do STF Alexandre de Moraes e do Banco Master. Após a quebra do sigilo da investigação pelo ministro relator do caso, André Mendonça — que expôs a relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro —, o senador ampliou as críticas ao magistrado, buscando associá-lo ao governo Lula. A aposta da campanha é usar o desgaste em torno do STF para reforçar o discurso de que Moraes atuaria de forma alinhada ao petista.
