
A controvérsia envolvendo as alegações atribuídas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ganhou um novo capítulo na esfera jurídica e política. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que acionou sua equipe de advogados para processar a revista Veja e o ex-banqueiro. A reação ocorre após a publicação de reportagens sobre um suposto repasse de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para um documentário sobre o chefe do Executivo.
O anúncio das medidas judiciais foi feito pelo senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE), um dos porta-vozes da campanha presidencial. A avaliação dos interlocutores do governo é de que as acusações veiculadas constituem desinformação criada para interferir no cenário eleitoral de segundo turno.
Em declaração sobre as providências adotadas, Camilo Santana afirmou:
“Nós já acionamos o jurídico para entrar com todas as medidas cabíveis para processar a revista e processar, também, o Vorcaro”, disse o ex-ministro, rebatendo as insinuações trazidas a público.
A apuração da Veja e as revelações de áudio
A manifestação da campanha petista ocorre em resposta às matérias veiculadas pela revista Veja, que divulgaram gravações atribuídas a Vorcaro. Nos arquivos, o empresário narra supostos pagamentos informais direcionados ao Instituto Lula, sob a justificativa de custear a produção de um filme dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Em troca, segundo o relato exposto na reportagem, o Banco Master buscaria facilitadores para obter credenciamento e aportes junto a fundos de pensão de empresas estatais.
A coordenação da campanha de Lula classificou a matéria como uma “peça eleitoral irresponsável” e reiterou que o presidente jamais solicitou ou aceitou qualquer tipo de vantagem indevida. O Instituto Lula e a equipe responsável pela produção do filme também rebateram o teor dos áudios, declarando que a obra audiovisual não contou com financiamento irregular ou verbas não contabilizadas.
As manifestações da PF, da PGR e da Defesa
O anúncio de processos junta-se ao cenário de contestações institucionais que se acumulou desde a publicação da primeira matéria:
Polícia Federal: A corporação reafirmou em nota oficial que Daniel Vorcaro não prestou depoimento aos delegados sobre esse tema nem entregou anexos ou provas documentais à instituição.
Procuradoria-Geral da República: A PGR confirmou que a proposta de delação premiada levada pelos advogados do empresário no passado foi rejeitada por ausência de conjunto probatório mínimo, destacando que nunca tomou depoimento oral do ex-banqueiro a esse respeito.
Defesa de Daniel Vorcaro: Os advogados do empresário sustentam que ele possui informações Relevantes a prestar às autoridades e segue à disposição da Justiça, embora ressaltem desconhecer a divulgação de arquivos específicos pela imprensa.


