
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou nesta segunda-feira (5) a exoneração de Cida Gonçalves do comando do Ministério das Mulheres. A substituição ocorre em meio a críticas internas do próprio Partido dos Trabalhadores e a denúncias de assédio moral e racismo que recaíam sobre a então ministra. No lugar dela, assume a ex-ministra do Desenvolvimento Social Márcia Lopes, que já tomou posse nesta manhã.
A saída de Cida foi selada na última sexta-feira (2), durante reunião reservada com Lula no Palácio do Planalto. O ato de exoneração, assim como a nomeação de Márcia Lopes, deve ser publicado ainda hoje no Diário Oficial da União.
Cida Gonçalves havia sido indicada ao cargo pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, como parte da sua cota de influência na formação da Esplanada. Apesar de sua atuação histórica em movimentos feministas e na luta contra a violência de gênero, a ministra vinha enfrentando crescente desgaste político. Integrantes do PT criticavam a baixa entrega de políticas públicas, mesmo considerando os cortes no orçamento da pasta. As denúncias de assédio moral e práticas discriminatórias por parte de servidores agravaram a crise.
A saída da ministra ocorre em um momento delicado para o governo, que busca recuperar a imagem de pastas ligadas a pautas sociais, especialmente entre o eleitorado progressista.
Quem é Márcia Lopes, nova ministra das Mulheres
Márcia Lopes é assistente social e professora aposentada da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Com longa trajetória no setor público, foi secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social durante os primeiros mandatos de Lula e assumiu o ministério em 2010, no governo Dilma Rousseff.
Filiada ao PT, Márcia também foi vereadora em Londrina (PR) e disputou a prefeitura da cidade em 2012, ficando em terceiro lugar. Em 2022, integrou a equipe de transição do governo Lula, contribuindo na área de assistência social.
A expectativa entre aliados do Planalto é de que Márcia imprima uma gestão mais técnica e com maior capacidade de articulação interna e externa. Petistas próximos ao presidente veem na troca uma tentativa de fortalecer a presença do governo junto a movimentos de mulheres e à base social do partido, setores que vinham demonstrando insatisfação com a condução da pasta.
Com a mudança, Lula sinaliza um ajuste na equipe ministerial com foco na retomada de resultados e no enfrentamento das críticas que vinham se acumulando desde o início do terceiro mandato.


