Braga Netto confronta Mauro Cid e o chama de “mentiroso” durante acareação no STF

A acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o general da reserva Braga Netto, realizada na manhã desta terça-feira (25/6) no Supremo Tribunal Federal (STF), foi marcada por tensão e acusações diretas. Em pelo menos dois momentos cruciais, Braga Netto chamou Cid de “mentiroso”, gerando constrangimento no ambiente reservado do tribunal.

A sessão foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Também acompanharam a oitiva o ministro Luiz Fux, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e advogados de outros réus investigados.

Segundo relatos obtidos pela imprensa, Mauro Cid demonstrou visível desconforto com a presença do general. Ele evitou cumprimentar Braga Netto e manteve o olhar fixo nos ministros do STF, desviando do confronto direto com o ex-ministro da Defesa.

As principais divergências entre os depoimentos dizem respeito a dois episódios relatados por Cid em colaborações anteriores. No primeiro, ele afirmou que teria deixado mais cedo uma reunião realizada em novembro de 2022 no apartamento de Braga Netto, onde, segundo ele, foi discutido um suposto plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes. Cid alegou que, após sua saída, seriam tratadas “medidas operacionais” do plano. Braga Netto, por sua vez, contestou veementemente a versão, dizendo que Cid permaneceu até o fim do encontro.

No segundo ponto de conflito, Mauro Cid afirmou que recebeu dinheiro entregue em caixas de vinho pelo general, supostamente para repassar a militares envolvidos no plano — um grupo apelidado de “kids-pretos”. Braga Netto negou com veemência essa acusação. Cid, que antes dizia não lembrar o local exato da entrega, agora afirmou que os valores foram recebidos na sala dos ajudantes de ordens no Palácio da Alvorada.

A acareação durou cerca de duas horas e ocorreu em uma sala do STF. Os dois militares estavam sentados frente a frente, cada um de um lado da mesa, vestindo terno. O ministro Alexandre de Moraes proibiu o uso de celulares durante a sessão.

A oitiva acirra ainda mais as tensões dentro das investigações conduzidas pelo STF, que buscam esclarecer as articulações golpistas no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus aliados militares.

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