Cleitinho (Republicanos) desiste de disputar o governo de Minas Gerais

Foto: UOL Notícias

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) anunciou nesta segunda-feira (3) que não será candidato ao governo de Minas Gerais. A confirmação veio em vídeo publicado nas redes sociais, no qual o parlamentar, aos prantos, pediu perdão aos apoiadores e admitiu que o momento pessoal não permite seguir com o projeto eleitoral. “Não adianta entrar numa campanha do jeito que eu estou. Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim e da minha família”, disse. A decisão foi confirmada também pelo presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, que classificou a desistência como “espontânea” diante do momento difícil vivido pelo senador.

O contexto por trás da saída é marcado por luto. Cleitinho perdeu o irmão, Matheus Augusto Azevedo, no dia 18 de julho, poucos dias antes do prazo decisivo para definir sua candidatura. Segundo Pereira, o partido chegou a promover uma reunião de cinco horas em São José dos Campos para tentar reverter a situação e reafirmar o apoio da legenda, mas a decisão final coube ao próprio senador. Apesar do desfecho, o clima entre Cleitinho e a cúpula do Republicanos já vinha desgastado: no dia 25 de julho, ele não compareceu à convenção estadual do partido em Belo Horizonte, ausência que a legenda classificou, em nota, como geradora de “consequências inevitáveis”.

Até a desistência, no entanto, Cleitinho era, de longe, o nome mais forte da corrida mineira. A pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho, a mais recente antes do anúncio, mostrava o senador na liderança isolada em todos os cenários testados, tanto no primeiro quanto no segundo turno. No cenário com mais candidatos, ele aparecia com 35% das intenções de voto, à frente de Alexandre Kalil (PDT), com 12%, Patrus Ananias (PT), com 10%, e Mateus Simões (PSD), com 6%. Os indecisos somavam 15%, e o índice de brancos, nulos ou de quem não pretendia votar chegava a 13%, números que evidenciam o tamanho da vantagem que Cleitinho vinha construindo mesmo sem ter oficializado a candidatura.

A liderança nas pesquisas, porém, conviveu por semanas com a indefinição do próprio senador sobre concorrer. Nos dias anteriores ao anúncio final, Cleitinho chegou a sinalizar publicamente, inclusive em uma publicação com imagens geradas por inteligência artificial ao lado do pai e do irmão já falecidos, que seguiria “na missão” de disputar o governo. O vaivém entre sinalizações de candidatura e o não comparecimento a atos oficiais do partido acabou consumindo o tempo que a legenda via como necessário para consolidar alianças em torno de seu nome.

Com a saída de Cleitinho definitivamente selada, o Republicanos mineiro já articula um novo nome para a disputa. O ex-secretário de governo de Minas Gerais Marcelo Aro (PP) desponta como favorito para herdar o apoio do partido, do PL e da federação União Progressistas, tendência que deve se consolidar rapidamente já que o prazo final para o registro oficial das candidaturas se encerra em 5 de agosto. O desfecho reconfigura de forma abrupta o tabuleiro eleitoral mineiro, que até a véspera tinha no senador seu protagonista mais evidente.

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