
Acionada a pedido do ministro Alexandre de Moraes para a prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), a Interpol já havia negado pedidos anteriores de inclusão de bolsonaristas na lista vermelha de procurados da organização internacional. As recusas ocorreram nos casos dos influenciadores Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, ambos alvos de mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
As negativas foram fundamentadas em diferentes critérios técnicos adotados pela Interpol para avaliar pedidos de difusão vermelha — mecanismo que permite compartilhar globalmente os dados de foragidos da Justiça, solicitando apoio de outros países.
No caso de Allan dos Santos, que está nos Estados Unidos desde 2020, a prisão preventiva foi decretada em 2021 por Moraes, com base em acusações de lavagem de dinheiro, organização criminosa e incitação ao crime. Contudo, a Interpol apontou falta de clareza nas informações enviadas pela Polícia Federal, especialmente em relação à acusação de lavagem. Após pedir complementações, a organização recusou oficialmente o pedido em dezembro de 2022.
Já em relação a Oswaldo Eustáquio, a Interpol negou a inclusão com base no artigo 3º de sua constituição, que proíbe ações de caráter político, militar, religioso ou racial. Eustáquio havia tido a prisão decretada por suposta participação nos atos de vandalismo de 12 de dezembro de 2022, em Brasília, mas o pedido de difusão foi recusado porque ele solicitou asilo político, o que impede a inclusão automática na lista de procurados.
A Espanha também rejeitou o pedido de extradição de Eustáquio em abril deste ano, argumentando ausência de reciprocidade por parte do Brasil. Em resposta, Moraes suspendeu a extradição de um cidadão búlgaro condenado na Espanha, numa retaliação diplomática com base no princípio da reciprocidade.
Agora, com a ordem de prisão contra Carla Zambelli, Moraes volta a solicitar à Polícia Federal que dê início ao processo de inclusão de uma aliada de Jair Bolsonaro na lista vermelha da Interpol. O caso reacende o debate sobre os critérios adotados pela organização e os desafios enfrentados pelo STF em sua cooperação internacional.


