A lista de alvos da quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal, inclui lideranças políticas, religiosas e da contravenção que atuam no estado do Rio de Janeiro. Foram cumpridos três mandados de prisão e um de busca e apreensão.

Os três mandados de prisão foram expedidos contra o contraventor do jogo do bicho Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar e o empresário e pastor Márcio Poncio. Além deles, o ex-deputado federal e filho do ex-governador Sérgio Cabral, Marco Antônio Cabral, teve contra si um mandado de busca e apreensão.
Em nota, a PF informou que a intenção desta fase da operação é aprofundar “a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo chefe da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro”.
“As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema”, informou a corporação.
A defesa do contraventor rechaçou a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. “A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal”, concluiu a nota, assinada pelo advogado Ricardo Braga.
Conforme a Polícia Federal, as apurações começaram depois da apreensão de listas em poder do contraventor indicarem “a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.
A PF acrescentou que “as listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”.
Preso desde fevereiro
Adilsinho está preso desde fevereiro, quando foi encontrado em sua casa em Cabo Frio, na Região dos Lagos, por agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (Ficco/RJ) e da Polícia Civil do estado (PCERJ). A ação também contou com o apoio do Ministério Público Federal (MPF). Naquele momento, ele estava foragido da Justiça Federal e era procurado pela Justiça estadual.
Bicheiro Adilsinho é preso em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Foto: Polícia Civil RJ/Divulgação
Além de ser apontado como integrante da nova cúpula do jogo do bicho do Rio de Janeiro e mandante de homicídios, Adilsinho é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado.
O contraventor teve outro pedido de prisão preventiva decretado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), pela morte do policial penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes, em junho de 2023, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio.
Com ele, foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) o ex-policial militar Rafael do Nascimento Dutra, o “Sem Alma”, e Jefferson Rodrigues da Silva, o “Jefe”.
O advogado Ricardo Braga disse à Agência Brasil que ainda não tem como responder sobre o desdobramento na Justiça do acúmulo de decretações de prisões contra o cliente. “Eu só consigo responder após ter acesso aos autos, que ainda não tenho”, pontuou.
Ex-presidente da Alerj
Preso no Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, na zona oeste da capital, Rodrigo Bacellar foi levado na manhã desta quinta-feira para a Superintendência da Polícia Federal, na região portuária do Rio.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa fluminense deve ser transferido para uma unidade do sistema penitenciário federal.
Presidente da Alerj, deputado estadual Rodrigo Bacellar. Foto: Thiago Lontra/ALERJ
A Agência Brasil enviou mensagem para a defesa de Bacellar, mas não teve resposta até o fechamento desta matéria.
O terceiro mandado de prisão foi para o pastor e empresário Márcio Poncio, preso também na manhã desta quinta-feira, em um flat na Praia da Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio. A Agência Brasil também não conseguiu contato com a defesa do pastor.
Busca e apreensão
A defesa do ex-deputado Marco Antonio Cabral, alvo de mandado de busca e apreensão, negou envolvimento com organizações criminosas. Em nota, a advogada Patrícia Proetti afirmou que ele permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários
“Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita”.
Agência Brasil
