
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente da CPMI do INSS nesta terça-feira (20), derrotando o governista Omar Aziz (PSD-AM) por 17 votos a 14. A escolha representa uma derrota para o governo Lula, que pretendia manter o comando da comissão sob influência da base aliada para reduzir os impactos políticos das investigações sobre fraudes bilionárias no órgão.
Logo após a proclamação do resultado, parlamentares da oposição entoaram coros contra o PT. Viana afirmou que atuará com equilíbrio e não permitirá desrespeito às pessoas convocadas a depor.
Relatoria sob controle da oposição
A primeira decisão do novo presidente foi indicar o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ligado ao bolsonarismo, como relator da CPMI. Caberá a ele redigir o documento final com possíveis pedidos de indiciamento e encaminhamentos à Polícia Federal e ao Ministério Público.
Gaspar já se destacou em outros momentos por posições favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi relator do pedido de suspensão do processo criminal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), acusado de tentativa de golpe de Estado, texto que abriu brechas para livrar Bolsonaro de responsabilidade.
Articulação noturna
A vitória da oposição foi construída em reuniões que avançaram pela madrugada. O PL decidiu lançar candidatura única e articulou o apoio de partidos até fechar os 17 votos. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) retirou sua candidatura, enquanto líderes como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) atuaram na costura do acordo.
Segundo aliados, o argumento usado foi que Aziz tinha lado definido —o do governo—, enquanto Viana prometia uma condução “mais equilibrada”.
Governo minimiza derrota
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, tentou minimizar o revés. Ele destacou que a base governista ainda é maioria e poderá influenciar na aprovação de requerimentos e convocações de depoentes.
O Planalto, no entanto, reconhece que a oposição pretende transformar a comissão em palco de embates políticos e trazer novos fatos para o noticiário, em um momento em que o governo tenta recuperar índices de aprovação.
Frustração de aliados do Planalto
A derrota também atingiu aliados próximos ao governo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), era o principal fiador da candidatura de Omar Aziz. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), articulava a indicação de Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para a relatoria —nome que foi descartado após a vitória da oposição.


