
A Polícia Federal, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Amazonas (Gaeco/MPAM), deflagra nesta quinta-feira (13/8) a Operação La Máquina, que mira uma organização criminosa suspeita de estruturar o transporte aéreo de drogas a partir da Amazônia para outras regiões do Brasil. As ações judiciais acontecem simultaneamente em oito estados: Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.
Segundo as investigações, o grupo utiliza aviões de pequeno porte, pilotos próprios, pistas clandestinas e empresas de fachada para viabilizar a logística do tráfico interestadual, além de movimentar recursos financeiros milionários por meio de pessoas físicas e empresas ligadas aos investigados. As apurações apontam movimentação superior a R$ 35 milhões vinculada ao esquema.
Ao todo, mais de 100 policiais federais e integrantes do Gaeco cumprem 43 mandados judiciais nesta manhã: 13 de prisão preventiva, quatro de medidas cautelares diversas da prisão e 26 de busca e apreensão. A Justiça determina ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros, o sequestro de 31 veículos e de dois centros comerciais, além da destruição de duas pistas de pouso clandestinas localizadas em Tefé e Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.
O nome da operação faz referência à expressão usada pelos próprios investigados nas comunicações monitoradas para se referir às aeronaves empregadas no transporte das drogas, tratadas como “fretes” nas conversas apuradas. Entre os episódios que embasam a investigação estão uma interceptação aérea seguida de ação policial na região de Tefé e o desaparecimento de uma aeronave durante voo próximo à fronteira com a Venezuela, em circunstâncias compatíveis com acidente aeronáutico.
Os investigados podem responder, de acordo com a participação individual de cada um, pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados ao longo das investigações. O coordenador do Gaeco, promotor Leonardo Tupinambá do Valle, destaca que a atuação conjunta entre o MPAM e a Polícia Federal foi decisiva para o avanço do caso e para a deflagração da operação.
A investigação segue em andamento, com a análise do material apreendido nesta fase, o que pode resultar na identificação de novos envolvidos e de outros crimes conexos ao esquema.
